O caso da Petrobras mostra como a preocupação ambiental se tornou estratégica para empresas que querem conquistar o mercado global
Juliana Arini
A consultoria espanhola Management & Excellence (M&E) apontou a Petrobras como a segunda empresa mais sustentável do mundo no setor de petróleo, atrás da anglo-holandesa Shell. Após um vazamento de óleo na Baía de Guanabara, a Petrobrás atentou para a causa. O início da transformação foi um investimento de R$ 12 bilhões em segurança ambiental. A empresa passou a se preocupar com o uso de recursos naturais, como a água que abastece as refinarias. Também investiu em programas sociais para as comunidades que convivem com suas plataformas de petróleo. Além de recuperar sua imagem, a Petrobras passou a lucrar mais no mercado acionário, por ser considerada uma companhia segura para investimentos.
Investir em cuidados ambientais não é apenas uma questão de imagem, já que a empresa se antecipa à exaustão dos recursos naturais dos quais depende. Além disso, o desafio de mudar a economia para combater o aquecimento global oferecerá oportunidades de negócios. Será preciso investir em novas fontes de energia e tecnologias de transporte. Isso cria oportunidades para quem investir primeiro em opções mais limpas. Também surgirão novos nichos de mercado para energias renováveis, como a eólica e a solar, e carros movidos por combustíveis não-fósseis, como o álcool. Algumas empresas também estão aproveitando essa mudança nos padrões de produção para vender novas tecnologias. "A General Electric (GE) é um exemplo dos que estão enxergando um novo mercado
Outro fator que justifica os investimentos em boa gestão ambiental é que as leis tendem a ficar mais rigorosas. Nos EUA, o Estado da Califórnia anunciou que vai reduzir sua cota de emissões em até 20%. Além da legislação ambiental, os próprios consumidores já cobram uma "boa postura" das empresas. Para lidar com o problema, será preciso investir em novas fontes de energia e tecnologias de transporte. Isso cria oportunidades para quem investir primeiro em opções mais limpas. Espera-se que a nova edição do Protocolo de Kyoto, o acordo internacional para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, mude as regras a partir de 2012. A cota de redução nas emissões deverá ficar mais rigorosa para os países desenvolvidos. Estima-se que essa redução passará dos atuais 5% para até 50%. E economias que antes não possuíam compromisso de reduzir suas emissões, como China, Índia e Brasil, também serão obrigadas a mudar seus padrões de produção. Se isso acontecer, as empresas que dominarem as tecnologias livres de gás carbônico terão vantagens competitivas.