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GESTÃO
Choque de Gestão é com Ele

Com o apoio de clientes, o mineiro Vicente Falconi tornou-se o consultor mais requisitado na esfera pública do país

Cristiane Mano

    Aos 66 anos, o consultor mineiro Vicente Falconi é considerado o maior especialista em gestão de custos e de processos do país. Uma equipe da consultoria de Falconi, o Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), acaba de iniciar um trabalho para cortar R$ 1,5 bilhão das despesas do governo fluminense nos próximos 18 meses. A popularidade de Falconi entre governadores e prefeitos país se deve a Jorge Gerdau, presidente do conselho da siderúrgica Gerdau. O bom trânsito de Gerdau no governo abriu portas para Falconi.

    O segundo articulador desse movimento é o empresário Carlos Alberto Sicupira, um dos controladores da Ambev. Os projetos de consultoria realizados por Falconi no governo em geral não são pagos com dinheiro público, e sim por consórcios privados, organizados em grande parte por meio de uma ONG de Sicupira, a Fundação Brava. Ao todo, Sicupira já levantou cerca de 30 milhões de reais para bancar projetos desenvolvidos por Falconi.

    Para mergulhar na gestão pública, Falconi teve de fazer adaptações em seu estilo, como na formalidade, que o obriga a vestir temo e gravata. Em termos de resultado, o maior trunfo de Falconi é o saldo do trabalho feito em Minas Gerais, iniciado em 2003, quando o estado tinha um rombo de 2.1 bilhões de reais e teve o déficit zerado em apenas um ano. A metodologia consiste em mapear as despesas item por item e estabelecer metas de corte.

Março 2007 - Exame
 
Tempos Modernos

    As condições trabalhistas voltaram a ser discutidas depois de um escândalo envolvendo a rede britânica de supermercados Tesco. Em outubro passado, câmeras escondidas levaram ao ar no Channel Four, do Reino Unido, cenas de trabalhadores, claramente menores de idade, trabalhando em fábricas de roupas de marca própria da empresa, em Bangladesh. O caso ilustrou as limitações dos sistemas criados nos últimos dez anos para fiscalizar as condições de trabalhos em setores como o de roupas, calçados e brinquedos. Um estudo da Sussex University feito para a ETI, em 2206, revelou que os esforços de monitoração ajudaram a acabar com irregularidades de trabalho infantil e de segurança no trabalho, mas tiveram muito menos impacto em questões como liberdade de associação e criação de empregos regulares.

    A Tesco tentou se explicar argumentando não saber que a fábrica produzia bens para as suas lojas. No entanto, isso não amenizou a crise e fez a empresa repensar seu sistema trabalhista. Agora, a Tesco juntou-se ao Wal-Mart, Carrefour e Metro - os quatro maiores grupos de supermercados do mundo - para apoiar uma nova iniciativa global que encoraje o desenvolvimento de uma abordagem unificada para promover boas condições de trabalho na cadeia de produção de quase tudo, de computadores a bananas.

    Os detalhes do projeto, comandado pela CIES, um órgão que reúne varejistas e fornecedores de alimentos, ainda não foram divulgados. Mas, incluem um conjunto de padrões e princípios de trabalho, em um momento em que várias empresas líderes buscam formas de ir além do atual modelo problemático de fiscalização.

    A abordagem ganha força à medida que mais empresas procuram trabalhar com menos fábricas fornecedoras. Em decisão que poderia reforçar esses esforços, a rede varejista de roupas Gap, dos EUA, lançou um "cartão integrado de placar do vendedor", que classifica seus fornecedores em cinco níveis, de acordo com as condições gerais da fábrica e fatores como velocidade e inovação. O cartão, diz Dan Henkle, que comanda as atividades de responsabilidade social da Gap, demonstra a "correlação próxima" existente entre as fábricas com melhores condições de trabalho e as com melhor desempenho.

    Outro fator preocupante são as decisões de compra e design feitas por uma marca ou varejista em suas sedes. Isso pode levar a abusos como trabalho excessivo ou não remunerado. Segundo o informe da ETI, as pressões por baixos preços e entregas rápidas limitam a capacidade de os fornecedores melhorarem as práticas trabalhistas.

Janeiro 2007 - Valor Econômico
 

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