As condições trabalhistas voltaram a ser discutidas depois de um escândalo envolvendo a rede britânica de supermercados Tesco. Em outubro passado, câmeras escondidas levaram ao ar no Channel Four, do Reino Unido, cenas de trabalhadores, claramente menores de idade, trabalhando em fábricas de roupas de marca própria da empresa, em Bangladesh. O caso ilustrou as limitações dos sistemas criados nos últimos dez anos para fiscalizar as condições de trabalhos em setores como o de roupas, calçados e brinquedos. Um estudo da Sussex University feito para a ETI, em 2206, revelou que os esforços de monitoração ajudaram a acabar com irregularidades de trabalho infantil e de segurança no trabalho, mas tiveram muito menos impacto em questões como liberdade de associação e criação de empregos regulares.
A Tesco tentou se explicar argumentando não saber que a fábrica produzia bens para as suas lojas. No entanto, isso não amenizou a crise e fez a empresa repensar seu sistema trabalhista. Agora, a Tesco juntou-se ao Wal-Mart, Carrefour e Metro - os quatro maiores grupos de supermercados do mundo - para apoiar uma nova iniciativa global que encoraje o desenvolvimento de uma abordagem unificada para promover boas condições de trabalho na cadeia de produção de quase tudo, de computadores a bananas.
Os detalhes do projeto, comandado pela CIES, um órgão que reúne varejistas e fornecedores de alimentos, ainda não foram divulgados. Mas, incluem um conjunto de padrões e princípios de trabalho, em um momento em que várias empresas líderes buscam formas de ir além do atual modelo problemático de fiscalização.
A abordagem ganha força à medida que mais empresas procuram trabalhar com menos fábricas fornecedoras. Em decisão que poderia reforçar esses esforços, a rede varejista de roupas Gap, dos EUA, lançou um "cartão integrado de placar do vendedor", que classifica seus fornecedores em cinco níveis, de acordo com as condições gerais da fábrica e fatores como velocidade e inovação. O cartão, diz Dan Henkle, que comanda as atividades de responsabilidade social da Gap, demonstra a "correlação próxima" existente entre as fábricas com melhores condições de trabalho e as com melhor desempenho.
Outro fator preocupante são as decisões de compra e design feitas por uma marca ou varejista em suas sedes. Isso pode levar a abusos como trabalho excessivo ou não remunerado. Segundo o informe da ETI, as pressões por baixos preços e entregas rápidas limitam a capacidade de os fornecedores melhorarem as práticas trabalhistas.