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"Hoje, a Gol é dona de 19,24% do setor. A taxa de ocupação de suas aeronaves chega a 70%, a maior entre as companhias aéreas. Enquanto ajeita a pista para decolar nas bolsas de valores, o comandante da Gol vai fazendo à lição de casa. Na semana passada, o DAC deu sinal verde para a empresa operar em caráter permanente os vôos noturnos, chamados de corujões. São três rotas, cobrindo sete cidades.
A "operação vaga-lume" será a grande alavanca para levar a companhia a uma participação de 25%, encurtando a distáncia em relação a Varig e TAM (ambas têm mais de 30% do mercado). As líderes também conseguiram autorização para voar de madrugada e prometem uma guerra sem tréguas com a Gol. Mas não será fácil bater as tarifas da empresa de Júnior. Em termos de custos, a Gol parece imbatível. Há um indicador no setor que dá exata dimensão da austeridade das companhias áreas: o custo por assento/quilômetro. O da Gol bate em US$ 0,49, patamar próximo ao da americana Jet Blue, uma das mais rentáveis do mundo. As demais concorrentes brasileiras exibem um índice 80% maior. Além disso, os vôos noturnos servem como uma espécie de bônus para as empresas. Geralmente, elas amortizam o custo fixo com as operações diurnas.
O que vier daí para a frente, descontando-se custos variáveis (combustível, tripulação, etc), é lucro, pelo menos na teoria. Há passagens de São Paulo para Florianópolis por R$ 80. Outro exemplo: um corujão de Porto Alegre para Recife sai por R$ 369. O ônibus leito para esse trajeto custa R$ 367." O que faz a Gol diferente no setor é mentalidade de seus dirigentes. A começar pela conhecida obsessão por custos. Sua frota unificada, por exemplo, diminui gastos de treinamento e estoque de peças. Assim como a "manutenção faseada", aquela feita diariamente, antes do primeiro vôo. Isto evita a parada dos aviões durante cinco dias, como é de praxe na manutenção tradicional. O serviço de bordo também continua sendo o mais simples possível. Outro diferencial é a tecnologia que navega junto a Gol. A empresa, que já havia desde o seu nascimento dispensado os bilhetes aéreos, agora apresenta outra novidade.
Júnior visitou a Continental, em Houston, e "importou" o Web-Check in. O sistema permite que os passageiros cadastrados no site da companhia realizem a operação com até três horas de antecedência ao vôo. Depois, basta imprimir o recibo e o cartão de embarque e apresentá-los na sala de embarque. A empresa também está implementando quiosques de atendimento onde funcionários, munidos de um computador de mão e impressoras portáteis, podem fazer o check in expresso para os clientes. "À Gol entrou no mercado no momento certo, com uma mentalidade inovadora e tecnologia de ponta", diz o consultor José CarIos Martinelli.
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