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ENTULHO ELETRÔNICO. O QUE FAZER?
Dezembro de 2007
 

O avanço da indústria de celulares traz à tona um problema ambiental típico dos tempos atuais: o lixo eletrônico. Quarenta milhões de toneladas de resíduos eletrônicos são produzidos a cada ano no planeta e crescem três vezes mais rapidamente do que o lixo municipal, segundo a Universidade das Nações Unidas (UNU). O tempo útil de um celular está ficando cada vez mais curto. Em 2005, o brasileiro trocava de aparelho a cada 30 meses. Hoje, passou para 24. Japoneses e coreanos não ficam mais de 12 meses com o mesmo celular. Ambientalistas alertam para o aumento dessa sucata e também para as substâncias altamente poluentes geradas por ela. A produção de um telefone móvel implica no uso de 500 a mil substâncias tóxicas quando vão para o lixo.

Mas, então, o que fazer com esse entulho? Qual a solução para esse iminente estrago ambiental? Presidente da Tátil Design, Fred Gelli, afirma que uma parte do problema está no design. "Do ponto de vista do ecodesign, o celular é um equívoco de projeto", alerta Gelli. Ele explica que as empresas fabricantes desenham um aparelho quando já tem outro mais avançado na gaveta. O designer não inova nas matérias e pouco tempo depois o marketing convence o consumidor a trocar de celular. Uma cura para esse mal seria levar o esforço de inovação que já existe no campo do desenvolvimento tecnológico para o do ecodesign.

Presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Ricardo Young, diz que os fabricantes só agora começam a acordar para o problema, mas o movimento ainda é muito tímido, principalmente no Brasil. Campanhas publicitárias de bancos, montadoras de automóveis e da indústria da moda envolvendo questões ambientais, e que comumente vemos na mídia, ainda não chegaram ao departamento de marketing dos fabricantes de celulares.

Com tanto lixo espalhado pelo mundo, o mercado informal começa a fazer a festa. Cerca de 80% dos resíduos eletrônicos do planeta vão para a Ásia, concentrando-se mais na cidade de Guiyu, próxima de Hong Kong. Lá, 80% dos 150 mil moradores desmancham os restos de aparelhos sem nenhuma proteção contra substâncias tóxicas. Hoje, a reciclagem tecnológica atingiu tal dimensão que cada região é especializada num tipo de sucata. A Ásia tem sido o destino certo da maioria dos resíduos, pois enviá-los para o continente custa dez vezes mais barato para o fabricante. A previsão é de que o mercado paralelo de "reciclagem" movimente US$ 11 bilhões em 2009.

 

 
Fonte: Valor Econômico, Época Negócios, Exame, Carta Capital e Dinheiro
   
 
 
 
 
 
Edição 76
 
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