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TEMPORADA DE CAÇA


21/11/2007

          A fuga em massa das empresas em busca de menores salários pagos aos trabalhadores está com seus dias contados, muitas que recorriam ao Leste Europeu e aos países asiáticos vê-se frente à crescente escassez de mão-de-obra. O estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra que a defasagem entre salários norte-americanos e dos países emergentes diminui rapidamente.

          Entretanto, demanda nem sempre acompanha a oferta. Segundo Nicholas Vardy, diretor da Global Stock Investor, a crença que o setor de TI indiano tivesse uma inesgotável fonte de mão-de-obra caiu por terra. Na Índia, por ano, são formados 400 mil engenheiros, mas de uma seleção de 1,3milhão de candidatos a vagas na Infosys, apenas 2% ou 26mil foram contratados em 2006. A rotatividade dos funcionários e a inflação dos salários têm levado à redução dos lucros. Na China, o percentual de queda está em 5%.

          Pesquisa realizada pela Economist Intelligence Unit (EIU) com 400 executivos de empresas multinacionais mostra que, atualmente, a maior preocupação e dificuldade para se atuar na China diz respeito à mão-de-obra especializada. E mais, o economista Jacob Kirkegaard, do Peter Peterson Institute for International Economics, prevê a queda dos serviços de offshoring/outsourcing face à escalada dos salários e o aumento da desigualdade salarial – abismo de renda entre os asiáticos incluídos no sistema capitalista e os que estão fora – que levará a uma instabilidade política a médio prazo.

          Uma saída é o estabelecimento de alianças globais entre governos, empresas privadas e instituições de ensino como, por exemplo, da Unicamp/SP que mantém convênios com universidades da Alemanha, África do Sul e Índia para a formação de líderes sindicais globais aptos a negociar em escala mundial.