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RISCO INVISÍVEL


30/06/2006

A partir das últimas décadas, em especial, depois dos escândalos contábeis do início do século XXI, a cultura do gerenciamento de riscos vem ganhando espaço dentro das empresas e ajudando a preservar o bom nome da corporação. Recentemente, em fevereiro de 2006, a multinacional Tintas Coral, da inglesa ICI Paints, e as alemãs Faber-Castel e Basf estiveram envolvidas numa denúncia de exploração infantil em Mata dos Palmares, nos arredores de Ouro Preto/MG.  O detalhe é que nenhuma destas empresas emprega mão-de-obra infantil; mas, um dos seus fornecedores sim, no caso a Minas Talco, pequeno fornecedor que tem uma receita anual de até R$50mil. Um "probleminha" que macula a reputação das multinacionais e que poderia ter sido evitado se o sistema de gestão de risco não tivesse falhado. Além do fato que as empresas tiveram que gastar tempo e recursos para dar explicações à toda sociedade.

Muitas empresas têm adotado uma política mais rígida, tanto interna quanto externamente, muitas já criaram até o CRO - Chief Risk Officers - para tentar enfrentar, além dos riscos de desastres naturais e de falta de insumos, as ameaças inéditas . Em 1997, a Toyota adotou uma prática da indústria de software no lançamento do Prius: lançou uma primeira versão do carro com defeitos, uma segunda versão melhorada e uma terceira definitiva, tudo para corrigir eventuais falhas no decorrer do processo.

Pesquisa da Ernest & Young, com 400 executivos em 16 países, mostra que 67% afirmam que o nível de risco aumentou nos últimos 2 anos e 42% admitiram que as estratégias de gerenciamento de risco de suas companhias estão repletas de flancos. Um levantamento da The Economist Intelligence Unit, com 296 executivos de empresas globais, mostra que a ameaça à reputação, isto é, à imagem de produtos ou marcas é que o mais preocupa; seguido pelo desrespeito à legislação e pela escassez de talentos e turbulências na sucessão.

Muitas empresas, apesar dos riscos, usam sistemas falhos como questionários ou amostra probabilística. No caso da Minas Talco, ela jamais foi "sorteada" para uma visita. Há empresas que alegam que deve haver uma relação mútua de confiança ou que o custo de uma auditoria seria proibitivo, o fato é que a marca sofre abalos quando há problemas.