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MAS O DESAFIO É IMENSO


23/01/2008

      Passada a euforia desse novo eldorado, o que as empresas descobriram depois de vários tropeços é que vender para os pobres, exige trabalho hercúleo. Há um pouco de tudo nesse mercado, desde consumidores com um potencial relativamente confortável até gente que ainda luta para sobreviver. Por isso, tratá-los de forma homogênea pode ser desastroso.

      Segundo levantamento do Boston Consulting Group, dos 5 trilhões de dólares que representam o mercado da população mundial, a maior parte da população tem renda anual entre US$ 1.500 e US$ 1.000 por ano. Comparando os continentes, podemos perceber a diferença de potencial entre eles. Na África, cujo mercado de 486 milhões de pessoas equivale a US$ 429 bilhões, a maior parte da população vive com renda abaixo dos US$ 1000 anuais, bem diferente do Leste Europeu, onde a grande maioria vive com mais de US$ 2000 anuais. A Ásia é o continente que apresente maior homogeneidade, com enorme parcela da população vivendo entre US$ 500 e US$ 2000.

      O levantamento mostrou ainda o perfil do consumo da população. Cerca de US$ 2,8 trilhões são gastos em todo mundo com alimentação, seguido de energia (US$ 433,4 bilhões), moradia (US$ 331,8 bilhões), transporte (US$179,3 bilhões), saúde (US$ 158,4 bilhões), telecomunicação (US$ 51,4 bilhões) e água (US$ 20,1 bilhões).

      No Brasil, o levantamento apontou que 66% destinam toda a renda para a família e as decisões de compra são compartilhadas. Sendo as mulheres as responsáveis por 90% das decisões de compra.

     O que as empresas perceberam é que o mercado exige esforços de inovação, que devem ir além dos redesenhos de embalagens ou da reavaliação de custos e preços. Um bom exemplo é o da subsidiaria indiana da Unilever que, durante cinco anos, manteve um time de cerca de 100 pesquisadores no país. Como a população da Índia sofre com os problemas de água contaminada, um dos responsáveis pelo alto índice de mortalidade infantil, e deficiência de iodo, responsável pelo retardo mental, a Unilever desenvolveu dois produtos específicos: o Pureit, espécie de purificador de água, lançado há dois anos, e o Annapurna, sal enriquecido com iodo que já responde a metade do sal consumido no país.

     Para os especialistas exemplos como este da Unilever pertencem ao que chamam de fase 2.0  onde exige transformações mais radicais.