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IMUNE ÀS CRISES


13/07/2005

    O Brasil sempre teve crises e períodos "críticos, difíceis de manejar"; mas, sempre houve aqueles imunes às crises, os abastados que por sorte ou competência, passaram incólumes quando a economia ia mal .
    Num país quem tem a 2a pior distribuição de renda do mundo e cerca de 53 milhões de pobres, o Brasil tem também 32,1% ou 90mil dos 280mil milionários da América Latina,  pessoas com US$1 milhão em ativos, excluindo-se as propriedades imobiliárias. Um País díspar que inaugura um espaço de 20 mil metros de quadrados de puro consumo AAA  em São Paulo para abrigar cerca de 120 marcas, entre elas Prada, Burberry, Valentino, Louis Vutton, Chanel... Para o seu novo empreendimento, a Daslu conta com o cadastro de 40 mil clientes desse clube VIP, sendo 75% mulheres e 25% de homens.

    Opulência que nasceu na França, onde movimenta cerca de 100 bilhões de euros por ano.  Para o autor Jean Castarède, uma das principais autoridades no segmento, o luxo é classificado em três partes: "extremo, no qual se encontram iates, carros, esportivos e mansões"; Intermediário, é composto por roupas de grifes, canetas e objetos caros, mas, de certa forma, mais democráticos"; e o  "Acessível, feitos de perfumes, vinhos e produtos alimentícios".
   Na visão de especialistas da área de ciências humanas, no capitalismo pós-moderno,  basicamente há duas categorias sociais : os vencedores são os que conseguem acumular capital financeiro, dispor de tempo livre e consumir luxo e os perdedores são os \'dependentes crônicos\',  como algumas famílias de classe média e baixa, que na ânsia de acompanhar os \'novos padrões\', se submetem a um círculo vicioso de endividamento vivendo sob a égide do desemprego, competindo desesperadamente pela sobrevivência.
    A sociedade atual exalta o sucesso econômico através da posse de objetos de valor como forma de se construir a identidade pessoal, a pessoa é aquilo que ela possui, assim  para abolir o conflito são necessários excessivas doses de consumo ou de anti-depressivo.

    Segundo o especialista em luxo da Burberry, Carlos Ferreirinha,  o luxo não é democrático, mesmo inadvertidamente, ele segrega. No roubo da  Burberry os ladrões não encontraram compradores para peças que custavam entre R$3mil e R$15mil, isso mostra que o luxo vale muito pouco ou quase nada para as pessoas simples; o que denota um grande paradoxo porque no bairro da Lapa/SP, grande centro de contrafação, uma imitação da bolsa Luis Vutton é vendida a R$30,0, cerca de 1% do valor da original.