Informativo eletrônico que amplia a compreensão do nosso principal foco: as pessoas, seus comportamentos e como elas evoluem.

EUREKA!


20/02/2008

    Em entrevista a revista Management, o especialista em marketing Peter Fisk, autor do livro O Gênio do Marketing, afirma que as empresas precisam mais do que nunca dos profissionais de marketing. Mas não daqueles que se anulam em atividades mecânicas, mas sim do profissional que sabe conjugar a criatividade com a análise; mercados com negócios; clientes com acionistas; promessas com realidade; hoje com amanhã. A genialidade do profissional está exatamente em saber solucionar alguns paradoxos.

    De acordo com Fisk, a área de marketing precisa entender os dois lados da moeda. "Os principais líderes empresariais e de marketing hoje têm muito que aprender tanto com o físico Albert Einstein como com o pintor Pablo Picasso. O primeiro começou com o rigor matemático e passou a pensar de modo criativo; o outro, apesar da criatividade "louca", envolveu-se muito com a teoria das artes plásticas. Precisamos de ambos: visão ampla e foco disciplinado; criatividade radical e métricas rigorosas - sempre reconhecendo que a criação de valor excepcional para os clientes é o único caminho sustentável de gerar retornos superiores para os acionistas", explica o especialista.

   
Segundo o estudioso, as companhias precisam olhar para fora, saber que no exterior há saídas para vários problemas internos. "Empresas demais estão obcecadas por seus processos internos e perdem de vista o que realmente faz diferença", alfineta Fisk. Para o escritor, essa obsessão interrompe o processo criativo, causando a cegueira intelectual, a perseguição pelo curto prazo, o medo de desafiar a situação dominante e a pura preguiça. No entanto, para evitar todos esses males, o especialista afirma que o pensamento de marketing tem de estar no coração do processo de tomada de decisões e os profissionais de marketing no coração do negócio.

   
E é no olhar para fora que os profissionais de marketing percebem o que os consumidores não necessitam, mas o que eles amam. Isso é fundamental no mundo ocidental, onde as pessoas já têm suas necessidades atendidas. "Não se trata de \'vender às pessoas o que elas não querem\', velha acusação que se faz ao marketing, mas de compreender como resolver os problemas dos clientes e melhorar sua vida", esclarece Fisk.

   
O escritor ainda comentou sobre sua teoria dos lados do cérebro. Ele diz que essa parte do corpo humano, pode ser comparado ao funcionamento de um computador. A memória ROM guarda informação que pode ser acessada quando necessária, além de ser acumulada ao longo do tempo. A memória RAM é, principalmente, um local temporário para a informação, usado como apoio para o trabalho que está sendo feito em determinado momento. O escritor afirma que a construção de uma marca fica depositada na memória ROM, precisa ficar lá, onde as informações são engavetadas "Chega o momento no corredor do shopping center em que o consumidor precisa fazer uma escolha. Nós, das empresas, devemos garantir que nossa marca seja rapidamente resgatada de suma memória ROM e trazida para a RAM", compara o estudioso.

   
Quando Fisk é perguntado quais seus principais conselhos para o profissional de marketing de hoje, ele diz que estes são os que mais facilmente podem alcançar o novo equilíbrio. São eles que podem conectar clientes e empresas, abraçar a criatividade e a análise, vislumbrar o futuro e agir no presente. Eles têm naturalmente a perspectiva do ambiente externo e o talento necessário para liderar a organização. As companhias precisam deles e do marketing mais do que nunca, para enfrentarem os desafios da complexidade de mercado e da competição intensa, para serem o vetor criativo e comercial, para incluírem os clientes e a inovação na empresa. É hora de o marketing voltar a ocupar o centro do palco.