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ESTUDO ALARMANTE


20/02/2008
    Não é de hoje que muitos cientistas não acreditam nos milagres de boa parte de medicamentos lançados e descritos em estudos publicados nas mais prestigiadas revistas médicas. Porém, o setor não esperava o que Erick Turner fez. Ele liderou um grupo de cientistas do departamento de psiquiatria e farmacologia da Universidade de Oregon num levantamento nunca antes visto para avaliar o comportamento das indústrias na divulgação dos resultados obtidos nos estudos de cada droga.

    A FDA (Food and Drug Administration), órgão oficial dos EUA, exige um número mínimo de pesquisas em pacientes para provar os reais benefícios do medicamento, assim como a segurança para o consumidor e paciente. E depois de tais estudos, os fabricantes registram os novos remédios os publicam na mídia especializada.

    Turner teve acesso aos processos de avaliação de 12 medicamentos antidepressivos registrados recentemente na FDA. E, após listarem os resultados, tiveram grandes e decepcionantes surpresas. A primeira observação deixou os cientistas preocupados. Um terço dos estudos da FDA nunca é publicado pelas empresas e ficam escondidos nos arquivos da entidade. A segunda descoberta foi ainda mais espantosa: a probabilidade de a indústria publicar um estudo é diretamente ligada à presença, ou não, de resultados favoráveis à droga em questão. A maioria (94%) dos estudos considerados positivos é publicada. Em contrapartida, 86% das pesquisas com resultados fracos ou negativos são deixadas nas gavetas. Pior ainda: algumas avaliações julgadas pela FDA como negativas foram publicadas de forma a transmitir ao leitor uma idéia errônea de que os medicamentos têm efeitos excelentes.

    A pesquisa coloca em pauta a isenção dos relatos de medicamentos feitos pelos fabricantes, além de alertar médicos e pacientes. Pois, os profissionais se baseiam em textos publicados em revistas médicas ao prescreverem as drogas para os pacientes. Turner ainda chama a atenção para a necessidade de criar métodos de avaliação e de acesso à totalidade dos dados a respeito de um medicamento.