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CAOS URBANO


16/06/2008
    Há 200 anos, com a chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro, a cidade sofreu com o aumento do número de carruagens e as ruas estreitas da época já não suportavam mais. Em pleno século XXI, o cenário é parecido, com a diferença que ao invés de carruagens, temos frotas de carros. Em São Paulo, segundo o Departamento Estadual do Trânsito (Detran), há mais de seis milhões de veículos circulando pelas ruas, cerca de 14% de todo o país. O índice de congestionamento na capital paulista chegou a 229 quilômetros no início de abril, superando o recorde anterior, de 221 quilômetros.

    O economista da Fundação Getúlio Vargas, Marcos Cintra, aponta prejuízo anual de R$ 33,5 bilhões com os congestionamentos em São Paulo. O valor provém da soma entre o custo de oportunidade da mão-de-obra (R$ 27 bilhões), calculado pelo que o cidadão deixa de fazer ao ficar parado no trânsito, mais o custo pecuniário (R$ 6,5 bilhões), dividido entre os custos adicionais de combustível, saúde pública em função da poluição e transporte de carga, em 2008. No Rio, o prejuízo é de até R$ 12 bilhões ao ano, segundo cálculo de Ronaldo Balassiano, professor de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ.

    A causa mais recente para o caos é o número de veículos nas ruas, que vem aumentando consideravelmente devido ao maior poder aquisitivo da população. Segundo a Organização Mundial da Indústria Automobilística, os Brics venderão mais carros que os europeus e americanos no período de seis anos. Para resolver o problema, seria necessário limitar a circulação de veículos privados e incentivar o transporte coletivo eficiente, o que vai de encontro com o modelo brasileiro de cidades baseado no transporte individual sobre pneus. O cansaço e o risco de doenças fazem parte do dia-a-dia. O prejuízo é certeiro para a economia e a saúde da cidade, do Estado e do país. As contas do economista Marcos Cintra que o digam.