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A SENHA PARA A FELICIDADE...


Edicão: 135 - 12/04/2017

"O prazer é a sombra da felicidade", diz um provérbio hindu, para se referir a esse efeito efêmero da exposição a estímulos sensoriais, estéticos ou intelectuais. Embora intrinsecamente satisfatória, a sensação não se sustenta e, muito rapidamente, tende a se tornar neutra ou mesmo desagradável. Ainda que saibamos disso, a maioria de nós corre atrás dessa vivência, insistindo em repeti-la a todo custo. O fenômeno – comum tanto a seres humanos quanto a outros animais – tem fascinado cientistas e, para aprofundar essa compreensão, pesquisadores de várias partes do mundo têm buscado entender o papel da dopamina, uma substância intimamente associada ao bem-estar. No cérebro, o neurotransmissor funciona como uma espécie de senha para a felicidade.

"Sob a óptica da neuroquímica, a dopamina cria o registro de que a vida valha a pena ser vivida, pois nos permite reconhecer experiências prazerosas", explica Maia Szalavitz, autora de Unbroken brain: A revolutionary new way of understanding addiction (St. Martin’s Press, 2016, ainda não lançado no Brasil).

Diante disso, seria lógico pensar que precisamos de dopamina para alcançar uma vida melhor, mais plena. Certo? Nem tanto. Essa ideia é controversa e cada vez mais cientistas concordam que o neurotransmissor não define neurologicamente o prazer. "Mas a molécula pode desvendar o mistério intricado daquilo que nos move", afirma Szalavitz.

Uma descoberta recente abriu espaço para que seja considerada uma função muito interessante da dopamina: "contabilizar" quanto bem-estar teremos em determinada situação. "O neurotransmissor codifica a diferença entre o que estamos obtendo e o que esperávamos", diz o neurologista Wolfram Schultz. No ano passado, seus estudos revelaram que embora a dopamina não avalie com precisão "quanto" uma experiência será agradável, pode determinar seu valor para o organismo naquele momento. Essas descobertas levam os cientistas a compreender que a sensação de prazer começa antes da vivência propriamente dita.

Colaboração: Henrique Vieira, estrategista de negócios e marketing digital.
Fontes: AMA, PWC, Mente&Cérebro, Business Insider e Boletim RecordTVRio