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A DISPUTA DO EMERGENTE


23/01/2008

    Há seis anos, o economista Jim O\'Neill, chefe da área de pesquisa da Goldman Sachs, criou o termo \'BRICs\' apontando Brasil, Rússia, Índia e China como os países que liderariam o crescimento global em 50 anos. Com cenário desfavorável na época - o país passava pela crise do apagão energético e perdia participação no PIB global -, o Brasil superou as expectativas e tornou-se hoje o mais promissor dos BRICs.

   
Segundo O\'Neill, o crescimento brasileiro está diretamente ligado ao tripé econômico formado por sua política de metas de inflação, câmbio flutuante e seriedade fiscal, além da conquista da auto-suficiência em petróleo, que, dentro de poucos anos, tornará o país um exportador líquido de uma mercadoria escassa e cada vez mais cara.

    O discurso do economista é apoiado pelo investidor norte-americano Michael Milken, que previu o Brasil como uma das cinco maiores potências mundiais até 2040. Já o Banco Mundial aponta o país como a sexta maior economia do mundo pelo critério de paridade do poder de compra das moedas - com 2,88% do PIB mundial, o Brasil é o décimo da lista, mas está próximo de Itália, Rússia, França e Reino Unido.

   
Em 2007, a contribuição dos quatro BRICs para o aumento do consumo mundial foi duas vezes maior que a dos Estados Unidos. Como os paises emergentes já não dispõem de áreas agricultáveis, o Brasil surge como o grande fornecedor. Um chinês, que em 1985 comia 20 quilos de carne, hoje consome 50 quilos. As exportações anuais do agronegócio somam US$ 57 bilhões por ano e respondem por todo saldo comercial brasileiro.

    Apesar do crescimento, as taxas do Brasil ainda são menores que a dos outros três BRICs, pois o país tem problemas na educação, na infra-estrutura, e já passou pelo processo de urbanização há muitos anos atrás. Porém, o fortalecimento da moeda nacional favorece o intercâmbio com o mundo exterior e melhora a auto-estima da população. Os números de 2007 comprovam a teoria de que o mercado interno está aquecido: a indústria no Brasil cresceu 7% e as vendas de veículos 30%. É justamente esse crescimento que está transformando o país no \'BRIC da vez\'.