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ATÉ QUE PONTO?


23/05/2011

Avanços em estatísticas, na psicologia e na ciência de redes sociais estão munindo estudiosos com ferramentas para identificar padrões de dinâmica humana demasiamente sutis para serem detectados por outros meios. Na Universidade de Northeastern, em Boston, EUA, um grupo de cientistas descobriu o quanto as pessoas podiam ser previsíveis estudando a rotina de deslocamento de cem mil usuários de celular na Europa.

Outro estudo é dos pesquisadores do MIT, que há 02 anos vem monitorando 60 famílias que vivem no campus da instituição, através de sensores e softwares instalados em smartphones, que registram movimentos, relacionamentos, humor, saúde, hábitos ao telefone e gastos dos usuários. Nessa montanha de detalhes íntimos, os pesquisadores estão encontrando padrões de comportamento que podem revelar como milhões de pessoas interagem em casa, no trabalho e nas horas livres.

Projetos como esses, envolvendo celulares, cientistas são capazes de identificar "influenciadores" - pessoas com maior probabilidade de fazer os outros mudarem de opinião. Operadoras de celular já usam essas técnicas para prever - com base no círculo de amigos de um cliente - quem é mais propenso a desertar para a concorrência.

Hoje, 75% da população têm celular, o que gera um imenso banco de dados, já que o celular é usado por uma única pessoa. Até aqui, esses estudos apenas arranham a superfície da complexidade humana. Ao mesmo tempo, permitem que a ciência extrapole aquilo que nos diferencia e enxergue formas de comportamento comuns a todos. O que impõe novos desafios a noções de privacidade.